Cinema Novo

Cinema Novo

A história da sétima arte no Brasil tem o Cinema Novo como grande protagonista. Neste sentido, o contexto histórico desse movimento é abordado em diversos vestibulares, assim como é um importante elemento de repertório sociocultural.

Neste resumo, você vai descobrir a história deste movimento, as suas fases, características, legado, cineastas e principais obras. Logo, prossiga com a leitura para conferir.

Cinema novo: uma história

Primeiramente, este foi um importante movimento cinematográfico nas décadas de 1960 e 1970 que teve um impacto significativo na história do cinema brasileiro e internacional. A saber, ele marcou uma época de renovação e experimentação na produção cinematográfica do Brasil.

Podemos traçar os seus antecedentes no I Congresso Paulista de Cinema Brasileiro em 1952. Nesse evento, diversos cineastas e artistas discutiram a criação de uma corrente cultural que construísse um cinema verdadeiramente brasileiro. Sobretudo, o lema deste grupo era “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”.

Assim, este movimento refletiu as aspirações e descontentamentos da sociedade brasileira da época. Sobretudo, ele buscou uma linguagem cinematográfica que fosse mais autêntica e capaz de capturar a realidade do país de maneira crua e crítica.

De fato, na década de 1960, o país estava passando por transformações significativas, o que incluía o processo de industrialização e urbanização, além de lutas políticas e sociais na época da ditadura militar. Esse ambiente tumultuado serviu de inspiração para muitos cineastas que buscavam contar histórias sobre a vida no Brasil. Igualmente, o contexto internacional de descolonização e da Guerra Fria foi outro elemento que influenciou os enredos dessa corrente.

Características

Realismo e crítica social

Uma das características mais marcantes do Cinema Novo foi o seu compromisso com o realismo e a crítica social. Portanto, os cineastas desse movimento buscavam retratar a vida brasileira de maneira autêntica e muitas vezes brutal, abordando as seguintes questões:

  • desigualdade social;
  • pobreza;
  • exploração rural;
  • corrupção política;
  • opressão;
  • cultura de massas;
  • problemas urbanos;
  • relações de gênero;
  • censura;
  • ditadura militar.

Estilo documental

Adiante, muitos filmes dessa corrente cinematográfica adotaram um estilo documental, com a utilização de técnicas como a câmera na mão, locações reais e atores não profissionais. Logo, isso contribuiu para a sensação de autenticidade e imersão nas histórias.

Baixo orçamento

Devido à falta de recursos financeiros, os cineastas do Cinema Novo muitas vezes trabalhavam com orçamentos limitados. Desse modo, esse aspecto os forçava a serem criativos e a encontrar soluções inovadoras para contar suas histórias.

Influências internacionais

Enfim, essa corrente teve a influência de outros movimentos cinematográficos internacionais, como a Nouvelle Vague francesa e o Neorrealismo italiano. Contudo, os cineastas brasileiros assimilaram essas influências, mas também as adaptaram à realidade brasileira, com linguagem própria.

Entretanto, é importante ressaltar que uma das grandes marcas do movimento foi a reivindicação da independência do cinema brasileiro diante da alegada “colonização cultural” feita pelos Estados Unidos. Nesse sentido, ele surgiu como uma resposta aos filmes brasileiros da época que se inspiraram excessivamente nas produções de Hollywood (por exemplo, musicais, épicos e comédias).

Estética da fome

Ademais, é importante destacar o conceito de “estética da fome” defendido por Glauber Rocha em 1965. Segundo o cineasta, o indivíduo da América Latina deveria denunciar e reagir à miséria a qual é submetido pelo sistema político. Assim, esse princípio marca a politização do trabalho do autor, que buscava estar em sintonia com os sentimentos das classes populares.

Fases do Cinema Novo

Em resumo, esta corrente cinematográfica pode ser dividida em três períodos, caracterizados pela influência do contexto sociopolítico sobre os filmes:

1) 1960-1964: período que antecede o Golpe Militar, no qual a produção cinematográfica tratava sobre a religiosidade, a desigualdade e a exploração do trabalhador.
2) 1964-1968: fase definida pelo recrudescimento da ditadura e pelo início da perseguição a alguns cineastas. Aqui, o engajamento político se torna notório, assim como a tentativa de resposta à sociedade por meio de enredos intelectualizados.
3) 1968-1972: aproximação cultural com o tropicalismo e construção de uma identidade nacional em contraposição à influência estrangeira.

Principais cineastas

De antemão, confira a seguir uma seleção dos principais cineastas que produziram obras significativas para o Cinema Novo, assim como os seus filmes de destaque:

  • Glauber Rocha (“Deus e o Diabo na Terra do Sol”, “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” e “Terra em Transe”);
  • Nelson Pereira dos Santos (“Rio, 40 Graus” e “Vidas Secas”);
  • Cacá Diegues (Ganga Zumba”, “A Grande Cidade” e “Xica da Silva”);
  • Ruy Guerra (“Os Fuzis” e “Os Cafajestes”);
  • Joaquim Pedro de Andrade (“Couro de Gato” e “O Padre e a Moça”);
  • Paulo Saraceni (“Porto das Caixas”);
  • Leon Hirszman (“A Falecida” e “Garota de Ipanema”);
  • Helena Solberg (“A Entrevista”).

Legado cultural

Enfim, o Cinema Novo teve um impacto duradouro na cinematografia brasileira e internacional. O seu compromisso com a crítica social e o realismo influenciou gerações de cineastas brasileiros e contribuiu para a consolidação do cinema como uma forma de expressão artística e política no Brasil.

De fato, a relevância dessa corrente cinematográfica influenciou a criação da Embrafilme, agência de fomento ao cinema brasileiro. Além disso, a ênfase na identidade nacional também auxiliou na formulação da corrente do “Terceiro Cinema”, movimento que buscou estabelecer uma cultura independente dos Estados Unidos e da União Soviética. Igualmente, o movimento do “Cinema Marginal” foi produto de um legado de contestação sociopolítica dos cineastas anteriores.

Em último lugar, muitos filmes desse movimento foram reconhecidos internacionalmente e receberam prêmios em festivais de cinema ao redor do mundo. Logo, isso ajudou a aumentar a visibilidade do cinema brasileiro no cenário internacional.

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