Modernismo

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O Modernismo foi um movimento artístico de profundo impacto sobre a literatura brasileira e no mundo à sua época.

Neste resumo, você vai descobrir o contexto histórico da literatura modernista, o seu estilo, as características, os autores e as obras dessa corrente. Assim, prossiga com a leitura para conferir.

Modernismo: contexto histórico

O século XX trouxe diversas inovações para a cultura, a política e a sociedade no mundo. Logo, foi neste contexto que a literatura modernista se desenvolveu. Principalmente, podemos apontar as Guerras Mundiais, as revoluções, a Crise de 1929 e o imperialismo como fenômenos de grande impacto sobre o mundo e provocadores de angústias que foram retratadas pelos artistas.

Todavia, o tom da literatura modernista não foi de todo pessimista. Ao contrário, ela também reproduziu uma expectativa positiva por causa do constante surgimento de importantes descobertas científicas, tais como:

  • aviação;
  • avanço da medicina;
  • telefone;
  • cinema;
  • energia nuclear;
  • desenvolvimento da genética;
  • psicanálise;
  • teoria da relatividade.

Estilo e valores

De antemão, é importante ressaltar a influência das vanguardas artísticas europeias sobre o Modernismo na literatura. Assim, os movimentos do futurismo, do cubismo e do surrealismo apresentaram novas formas de expressão pelos artistas, as quais também foram experimentadas pelos escritores. Por exemplo, podemos citar a liberdade representada pela linguagem coloquial, pelos versos livres e pelo retrato do cotidiano.

Decerto, a literatura modernista buscou romper com a visão tradicional de mundo e rejeitar o realismo e o sentimentalismo então predominantes na produção literária. Dessa maneira, os seus autores exploraram novas formas de narrativa como o “fluxo de consciência”, no qual os pensamentos dos personagens são apresentados de forma contínua e sem interrupções. Ademais, esta renovação artística também se dotou de um decisivo tom sociopolítico e nacionalista.

Uma das vertentes modernistas de maior destaque na literatura foi o surrealismo, manifestado na década de 1920. Nesse sentido, os seus escritores procuravam explorar o inconsciente e as associações livres. Logo, isso foi feito por meio da criação de obras que desafiavam as convenções narrativas e exploravam o mundo dos sonhos e das fantasias. A saber, o poeta francês André Breton foi um dos maiores expoentes desse segmento.

Além disso, outra subcorrente modernista de renome foi o expressionismo. Este movimento pretendia retratar a realidade de forma subjetiva e emocional ao utilizar recursos como o exagero e a distorção. Dessa forma, ele conseguiu transmitir uma visão intensa e impactante do mundo. Enfim, um exemplo de autor pertencente a esta vertente foi o escritor tcheco Franz Kafka.

Principais autores e obras modernistas mundiais

Ademais, o modernismo foi um movimento literário que se espalhou por boa parte do mundo, especialmente na Europa e no continente americano. Desse modo, apresentamos a seguir um rol com os seus principais autores e obras:

  • André Breton: “Manifesto do Surrealismo”(1924) e “Perfume no Ar” (1936).
  • Franz Kafka: “O Processo” (1925) e “A Metamorfose” (1915).
  • James Joyce: “Ulisses” (1914) e “Dubliners”(1914).
  • Fernando Pessoa: “Mensagem” (1934) e “O Banqueiro Anarquista” (1922).
  • Ezra Pound: “Lume Spento” (1908) e “O Espírito do Romance” (1910).
  • T.S. Eliot: “A Canção de Amor de J. Alfred Prufrock” (1914) e “A Terra Devastada”(1922).
  • Virginia Woolf: “Mrs. Dalloway” (1925) e “To The Lighthouse” (1927).
  • Samuel Beckett: “Murphy” (1938) e “Assumption” (1929).
  • William Faulkner: “The Sound and the Fury” (1929) e “Light in August” (1932).
  • F.Scott Fitzgerald: “This Side of Paradise” (1920) e “The Great Gatsby” (1925).
  • Ernest Hemingway: “ A Farewell to Arms” (1929) e “For Whom the Bell Tolls” (1940).
  • Marcel Proust: “Em Busca do Tempo Perdido” (1913) e “Crônicas”(1927).
  • Aldous Huxley: “Admirável Mundo Novo” (1932) e “Crome Yellow”(1921).
  • George Orwell: “Revolução dos Bichos” (1945) e “1984” (1949).

Modernismo no Brasil

A corrente literária modernista no Brasil se manifestou na primeira metade do século XX, em três diferentes “gerações”. Em suma, ela foi uma importante ruptura com os movimentos anteriores, o que marcou uma renovação estética e ideológica na cultura brasileira. Nesse sentido, podemos citar as suas principais características:

  • Valorização da cultura brasileira: rompimento com a influência estrangeira e prestígio das características únicas do povo brasileiro ao explorar temas como a identidade nacional, a diversidade cultural e a realidade social do país.
  • Experimentação e inovação formal: exploração de novas formas de expressão como a colagem, a fragmentação, a linguagem coloquial e a mistura de gêneros literários.
  • Engajamento: muitos escritores modernistas tinham uma postura engajada e procuravam refletir sobre os problemas e as contradições da sociedade brasileira por meio da abordagem de questões como a desigualdade social, o autoritarismo político e as injustiças.

Como dito anteriormente, as vanguardas artísticas europeias foram uma grande fonte de inspiração para este movimento na literatura. Porém, é fato que a produção literária modernista no Brasil também teve características únicas, enraizadas na realidade social e cultural do país, como você pode conferir a seguir.

Primeira geração (1922-1930)

Sobretudo, um marco importante do modernismo brasileiro foi a Semana de Arte Moderna de 1922, realizada em São Paulo. De fato, o evento reuniu artistas, escritores, músicos e intelectuais que buscavam romper com o academicismo e valorizar a cultura brasileira. Na literatura, este evento teve um impacto significativo, pois apresentou ao público obras que desafiavam as estruturas tradicionais e traziam uma nova linguagem. Logo, isso provocava uma contraposição direta a movimentos como o romantismo, o parnasianismo, o simbolismo e o realismo.

A saber, os expoentes da Semana de Arte Moderna integram a maior parte da essência da primeira geração modernista, também chamada de “fase heroica ou de destruição”. Para valorizar a cultura nacional em suas obras, esses autores propunham dialogar com os diversos elementos culturais populares do país, tais como o samba, o folclore, o carnaval e a literatura de cordel. Esse estilo pode ser visto em várias manifestações literárias, tais como a “Poesia Pau-Brasil” (1924) e o “Manifesto Antropofágico” (1928).

O estilo literário dessa corrente foi marcado pela experimentação formal na poesia e na prosa, o que levou à utilização da linguagem coloquial, à liberdade na fabricação dos versos, à crítica social, à ironia e à valorização do regionalismo.

Sobretudo, a primeira geração modernista foi bastante influenciada pelo contexto social e político da Primeira República (1889-1930), especialmente por fenômenos como o coronelismo, a política do café-com-leite, o tenentismo e a disseminação de ideologias como o socialismo, o positivismo, o anarquismo e o sindicalismo.

Autores e obras

Adiante, confira agora os principais autores e obras da primeira geração do Modernismo no Brasil, associadas com a sua data de publicação:

  • Mário de Andrade: “Macunaíma” (1928), “Pauliceia Desvairada”(1922) e “Amar, Verbo Intransitivo”(1927).
  • Oswald de Andrade: “Os Condenados” (1922), “Memórias Sentimentais de João Miramar” (1924) e “Pau-brasil” (1925).
  • Manuel Bandeira: “Estrela da Manhã”(1936), “As Cinzas da Horas”(1917) e “Libertinagem” (1930).
  • Menotti Del Picchia: “Dente de Ouro”(1923) e “O Amor de Dulcineia” (1926).
  • Alcântara Machado: “Brás, Bexiga e Barra Funda”(1928) e “Laranja da China”(1929).

Segunda geração do modernismo (décadas de 1930 e 1940)

Em resumo, a segunda geração aprofundou a inovação da “fase heroica” e consolidou as suas propostas. Entretanto, os modernistas de então adotaram um estilo mais intimista, lírico e introspectivo em suas obras. Logo, isso auxiliou a construção de enredos mais deterministas que exploravam temas de cunho sociopolítico, tais como a fome, a seca, a luta social, a censura e a pobreza.

Naturalmente, a segunda geração modernista coincide com a Era Vargas (1930-1945), regime que promoveu a industrialização, a legislação trabalhista e o crescimento do Estado, mas também a autocracia, a ditadura e a censura.

Autores e obras

Igualmente, disponibilizamos a seguir uma seleção dos autores e das obras de maior relevância na segunda geração do modernismo brasileiro:

  • Carlos Drummond de Andrade: “Alguma poesia”(1930), “A Rosa do Povo”(1945) e “Sentimento do Mundo”(1940).
  • Graciliano Ramos: “Vidas Secas”(1938), “Memórias do Cárcere”(1953) e “São Bernardo” (1934).
  • Jorge Amado: “Gabriela, Cravo e Canela”(1958), “Capitães da Areia”(1937) e “O Cavaleiro da Esperança” (1942).
  • Cecília Meireles: “Romanceiro da Inconfidência” (1953) e “Batuque, Samba e Macumba” (1935).
  • Vinícius de Moraes: “Novos Poemas” (1938) e “Poemas, Sonetos e Baladas” (1946).
  • Érico Veríssimo: “O Tempo e o Vento” (1949) e “Olhai os Lírios do Campo” (1938).
  • Murilo Mendes: “História do Brasil” (1932) e “O Visionário” (1941).
  • José Américo de Almeida: “A Bagaceira” (1928) e “Coiteiros” (1935).
  • Rachel de Queiroz: “O Quinze” (1930) e “Caminho das Pedras” (1937).
  • José Lins do Rego: “Menino de Engenho” (1932) e “Fogo Morto” (1943).

Terceira geração (décadas de 1950, 1960 e 1970)

Enfim, a terceira geração do modernismo representa o ocaso do movimento e a influência de processos sociais e culturais já da segunda metade do século XX. O seu caráter foi bastante plural e psicológico, marcado pela filosofia existencialista e a literatura de vanguarda.

Também chamada de “Geração de 1945”, esta corrente se desenvolveu em meio a processos políticos e culturais como a Guerra Fria, o Golpe de 1964, os “anos dourados” da década de 1950 e a liberalização dos costumes.

Em suma, os escritores modernistas da terceira geração privilegiaram temas como o papel da mulher na sociedade e a condição humana. Sobretudo, eles empregavam em suas obras recursos como o “jogo psicológico”, a metalinguagem, a fragmentação e a valorização da construção do poema.

A propósito, o concretismo foi um importante movimento pertencente a esta corrente no Brasil. Assim, nele se pretendeu reproduzir na poesia o experimentalismo estético a partir do tripé conceitual “palavra, som e imagem”, o qual possibilitava leituras múltiplas das obras desse segmento. Em resumo, os autores concretistas de maior destaque foram Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari.

Autores e obras

Por fim, confira a seguir quais foram os autores e as obras mais significativas da terceira geração modernista no Brasil:

  • Ferreira Goulart: “Poema Sujo” (1976), “A Luta Corporal” (1954) e “Teoria do Não-Objeto” (1959).
  • Guimarães Rosa: “Grande Sertão Veredas”(1956) e “Sagarana” (1946).
  • Lygia Fagundes Telles: “Ciranda de Pedra” (1954) e “As Meninas” (1973).
  • Clarice Lispector: “A Hora da Estrela” (1977) e “A Paixão Segundo G.H.”(1964).
  • João Cabral de Melo Neto: “Morte e Vida Severina”(1955) e “O Cão Sem Plumas” (1950).
  • Adélia Prado: “Bagagem” (1976) e “Solte os Cachorros” (1979).
  • Décio Pignatari: “Poesia pois é poesia” (1977), “Carrossel” (1950) e “Organismo” (1960).
  • Augusto de Campos: “Viva Vaia” (1979), “Poetamenos” (1955) e “Poemóbiles” (1974).
  • Mário Quintana: “Rua dos Cataventos” (1940) e “Canções” (1946).
  • Ariano Suassuna: “Auto da Compadecida”(1955) e “Farsa da Boa Preguiça” (1960).

Gostou deste artigo sobre o Modernismo? Então, confira também o nosso resumo sobre o Quinhentismo presente na seção de literatura em nosso site.

 

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